Sustentabilidade, mercado e finanças pessoais: entenda essa relação!

A sustentabilidade é um tema cada vez mais comum na sociedade, devido à preocupação coletiva com o desenvolvimento que considere o uso responsável de recursos. O que nem todo mundo sabe é que o conceito pode ser aplicado a diversos contextos, como no caso das finanças.

Na hora de cuidar das finanças pessoais, por exemplo, é possível focar na abordagem sustentável para orientar a tomada de decisão. Há, ainda, alternativas do mercado financeiro que podem aliar o conceito aos investimentos.

Para entender como essa relação se caracteriza, veja tudo sobre a ligação entre a sustentabilidade e a gestão de finanças pessoais!

O que é a sustentabilidade nas finanças pessoais?

Quando se fala em sustentabilidade, é comum atrelar o conceito ao meio ambiente e à sociedade. Então, ela envolve os fatores para conquistar um desenvolvimento que possa se manter no âmbito econômico, ambiental e social.

Porém, o conceito não se limita a essa aplicação. Atualmente, também é possível falar da chamada sustentabilidade financeira de modo pessoal. A ideia é prever um uso do dinheiro que seja mais responsável, comprometido e com propósito.

Tudo isso se torna viável por meio da aplicação de boas práticas comuns à sustentabilidade geral no âmbito da gestão de finanças pessoais. Assim, há como fazer com que sua realidade financeira assuma essa característica.

Isso é importante para que o uso do seu dinheiro ganhe um propósito maior. Graças às decisões que consideram os fatores sustentáveis, é possível usar seu dinheiro para apoiar mudanças e impactos positivos. Logo, o desempenho conquistado com seu patrimônio não é apenas financeiro.

O que significa ter uma vida financeira sustentável?

Após entender o conceito de sustentabilidade, vale a pena ver como ele se aplica à realidade das finanças pessoais. Na prática, ter uma vida financeira sustentável permite lidar melhor com o dinheiro e se organizar para ter qualidade de vida.

Um dos aspectos essenciais é a ideia de fazer o seu padrão de vida caber na sua renda — e não o contrário. Quem busca a sustentabilidade das finanças pessoais, normalmente, gasta menos do que ganha, consegue economizar para formar uma reserva e tem atenção aos hábitos financeiros.

Para que tudo seja possível, a educação financeira é fundamental. É ao conhecer melhor como avaliar e gerenciar suas finanças que você tem a chance de fortalecê-las para que permaneçam sólidas no futuro.

Além disso, a vida financeira sustentável pode envolver a hora de investir. Considerando que é um bom hábito economizar e investir seu dinheiro, a escolha de uma carteira de investimentos sustentável também é possível.

Isso ocorre, por exemplo, ao considerar a sustentabilidade como um critério para definir onde investir. Um quesito possível é focar em empresas que tenham uma boa gestão financeira e também desenvolvam iniciativas de sustentabilidade.

Na prática, ter uma vida financeira sustentável envolve benefícios como a previsibilidade sobre o uso dos recursos, a utilização estratégica do dinheiro e o aumento da segurança financeira. Assim, é possível garantir que suas necessidades sejam atendidas com mais proteção.

Como a sustentabilidade se relaciona ao mercado financeiro?

Como você viu, fazer o dinheiro render por meio dos investimentos é um bom hábito financeiro. Nesse sentido, é importante destacar que o mercado financeiro também está atento ao fortalecimento da sustentabilidade.

Por esse motivo, surgiram os chamados investimentos sustentáveis. Eles consistem em ativos e produtos financeiros que permitem realizar uma alocação de recursos com propósito e com foco nos pilares da sustentabilidade.

A seguir, conheça algumas alternativas que podem fazer parte da sua carteira!

Ações e títulos de empresas com foco em sustentabilidade

Uma das escolhas para ter uma vida financeira sustentável consiste em investir em empresas que atendam a critérios sustentáveis. Ou seja, companhias que apresentam boas práticas na relação com o meio ambiente e com a sociedade, além de ter elevada governança corporativa.

O objetivo delas é conquistar um desenvolvimento sustentável, o qual se posiciona de forma oposta ao crescimento predatório. E você, como investidor, pode incentivar o movimento ao filtrar as ações com esses critérios.

É possível, por exemplo, investir apenas em papéis de empresas sustentáveis. No caso da renda fixa, você pode priorizar título, como as debêntures, de companhias comprometidas com os fatores em questão.

Green bonds

Falando em renda fixa e seus títulos, os green bonds também estão disponíveis. Eles são chamados de títulos verdes e preveem o investimento em projetos e iniciativas que atendam à proposta sustentável.

Sendo assim, permitem que você financie empresas e projetos que são focados na obtenção de resultados ligados à sustentabilidade. De certo modo, o investimento servirá como fomento ao desenvolvimento sustentável

Fundos ESG

Quando se fala em sustentabilidade, é essencial saber o que é ESG. Sigla para environmental, social and governance ou meio ambiente, social e governança, ele representa os três pilares principais de um investimento sustentável.

Os fundos ESG não são necessariamente um tipo de fundo. Na verdade, são estratégias que podem ser utilizadas para que o gestor escolha o que fará parte do portfólio. Um fundo de ações ESG, por exemplo, prioriza a compra de ações de empresas com essas características.

ETF

Outra oportunidade de investimento em sustentabilidade consiste no exchange traded fund (ETF) ou fundo de índice. Ele é um fundo cuja estratégia se baseia em replicar a carteira teórica de um indicador de mercado.

Para que esteja ligado à vida financeira sustentável, ele deve utilizar os índices de sustentabilidade. Esses indicadores selecionam as empresas mais representativas e que atendem a critérios, como o nível de governança corporativa ou o controle de emissão de gases ligados ao efeito estufa.

Além da praticidade que é comum a qualquer fundo de investimento, o ETF sustentável favorece a diversificação de carteira. Afinal, o investimento é feito em diversos ativos simultaneamente, o que pode ajudar a diluir os riscos.

Mas lembre-se: na hora de escolher qualquer um desses investimentos, é fundamental avaliar seu perfil de investidor para identificar a tolerância ao risco. Também é necessário pensar em quais são os seus objetivos financeiros, de modo a realizar uma escolha consistente.

Com essas informações, você passa a conhecer o impacto da sustentabilidade nas decisões que dizem respeito às finanças pessoais. Com uma estratégia alinhada e com as alternativas do mercado financeiro, você poderá ter uma vida financeira sustentável.


Agora que você já sabe a relação entre sustentabilidade, mercado e finanças pessoais que tal avaliar a implantação de uma consultoria em sustentabilidade? A consultoria em sustentabilidade ajuda no cumprimento das políticas ambientais e garante que a marca ou empresa não serão prejudiciais ao meio ambiente. Assim, a organização poderá trabalhar harmonicamente com a natureza à sua volta, garantindo a qualidade de seu trabalho e a preservação ambiental — o que engrandece a empresa perante seu público-alvo. Convidamos nossa consultora em Governança e Sustentabilidade Mayara Pardi para falar dos desafios das empresas em investir em sustentabilidade e todos os compromissos envolvidos.


Mayara é engenheira florestal e mestre em ciências florestais pela Universidade de Brasília, UnB. Com experiência no setor público pelo Ministério do Meio Ambiente e no setor privado atuou como consultora na elaboração de planos de controle ambiental para Eletrobras; Educadora ambiental no Projeto Eco Educa, focado no desenvolvimento da percepção ambiental de crianças por meio de experiência de imersão; Responsável técnica do viveiro de mudas nativas da fundação Pró-TAMAR e educadora ambiental voluntária no Parque Nacional de Brasília, auxiliando  na reformulação do plano de educação ambiental.


Mayara existe diferença entre sustentabilidade e ESG? Quais seriam elas?

ESG é nome dado à sustentabilidade corporativa no mundo financeiro, ou seja, é orientada pelos mesmos princípios da sustentabilidade, mas adaptada ao mundo corporativo, que responde ao mercado. Princípios esses de conservação ambiental, responsabilidade social, transparência e pensamento sistêmico, tanto em micro como em macho escala. O importante aqui é observar o quanto esta adaptação é fiel à proposta original, tornando legítimo o compromisso com a causa. Neste sentido surgiram índices que fazem essa avaliação, como o GRI, Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), entre outros.

Importante ressaltar a forma como todos esses novos elementos devem ser trabalhados. Antes de qualquer coisa, não existe mais apenas um capital determinante, tradicionalmente o financeiro, consideram-se agora outros cinco capitais: natural, social, intelectual, manufaturado e humano, que devem ser trabalhados de forma integrada, a partir de uma visão sistêmica. E tudo isso é avaliado pelos índices.

Hoje, as empresas de maior valor no mercado são aquelas que valorizam seu capital intelectual, como as de tecnologia, mas como quantificar isso? O valor é gerado à medida que os produtos frutos deste capital intelectual são aceitos pelo público, mas para isso é preciso entender quem é seu público e quais as necessidades que ele apresenta. Já não basta apenas oferecer um bom produto, ele tem que estar de acordo com os valores de seus compradores, que seguem a tendência de comprar a filosofia e causa da empresa, aderindo ao produto por consequência. A forma como são trabalhados todos os capitais, que são interdependentes, é o que se chama de cultura empresarial.

Na sua opinião, o que leva uma empresa a investir em ESG?

O sistema financeiro foi inventado como forma de organização da sociedade, com a intenção de tornar a troca de bens e serviço mais justa. Ou seja, surgiu para servir a sociedade, mas hoje os papéis se inverteram e a sociedade vive de acordo com as regras do mercado.

Adoraria dizer que toda essa movimentação no sentido da sustentabilidade aconteça pela causa socioambiental, mas é uma questão de números. A Inteligência das empresas, fazendo seus balanços, identificou que o modelo tradicional de produção e relacionamento com o público/sociedade a colocam hoje em uma situação de vulnerabilidade.  Sustentabilidade em termos contábeis pode ser traduzida em perenidade, ou seja, é garantir que se continue fazendo o que se faz, com retorno satisfatório às partes interessadas por período indeterminado. Atualmente estão reavaliando, diria até restituindo, os steakholder. O mais interessante é incluindo o sistema Terra como um deles, deixando se ser visto como um cenário e passando a ser devidamente considerado um agente ativo.

Então, a melhor forma hoje, de garantir a continuidade das organizações, é investindo nos princípios da sustentabilidade, que não se resume apenas à questão ambiental. O ambiente é onde existimos enquanto sociedade, que se organiza por meio de um sistema financeiro. Note a existência de um fluxo do macro para o micro, de modo que o primeiro existe de forma independente, mas o segundo depende do primeiro e o último é inútil sem qualquer um dos dois.

Por que agora, de repente, todos falam em sustentabilidade e ESG?

Na verdade, esta é uma novidade relativa, o acrônimo ESG surgiu em 2004 em uma publicação do Pacto Global da ONU em parceria com o Banco Mundial. Foi uma resposta à provocação feita, pelo então Secretário-Geral, Kofi Annan, no ano 2000. Foram necessários quase 20 anos para que o mercado entendesse e aceitasse a necessidade de mudança, fazendo com que hoje estes princípios tenham tamanha representatividade.

A nossa situação pandêmica acelerou o processo de mudança, assim como vem fazendo com o setor tecnológico, por exemplo. Há tempos estudiosos da área apontam possíveis consequências para desequilíbrios ambientais de causa antrópica e há tempos enfrentamos essas consequências, mas sem que sejam dados os devidos nomes e apontadas as devidas causas.

Chegamos ao ponto em que não é mais possível fecharmos nossos olhos. Temos informação suficiente para identificar os problemas e reconhecer que ele está dentro de nossas casas, na nossa rotina. O consumidor de hoje está superando a posição de inferioridade que se colocava em relação ao discurso do mercado e buscando se identificar com as marcas, seja de bem ou serviço. Não se compra mais apenas o que se faz, mas principalmente o motivo pelo qual se faz.

Mayara por que cobrar de instituições privadas um compromisso com a sustentabilidade? Não seria papel do setor público?

No início da era industrial houve a corrida para encher o mercado com produtos e reaquecer a economia pós-guerra. Tinha-se uma visão utilitarista dos recursos naturais, o que foi válido para o desenvolvimento da sociedade por meio de inúmeras descobertas úteis. Agora atingimos o limite deste modelo, que já cumpriu sua função, tem seu mérito e, como um dia ele substituiu seu antecessor, precisa agora abrir espaço para um novo modelo, mais adequado às novas demandas.

Analisando nosso processo de desenvolvimento, da Revolução Industrial até a época recente, fica evidente que o setor privado se beneficiou dos recursos naturais, repassando as externalidades negativas à sociedade e ao ambiente. Acompanhamos enquanto sociedade o processo de criação de direitos humanos e trabalhistas, além da legislação ambiental, decorrentes desta revolução. Então nada mais justo que finalmente este setor reconheça estas externalidades ao longo da sua cadeia produtiva, responsabilize-se por elas e tomem as devidas providências.  Também é de responsabilidade das instituições o bem estar de seu capital humano. Seguindo a mesma linha de raciocínio, deve-se ir além e gerar valor à sociedade, fazer jus a sua razão social. Alimentar um ciclo de impacto positivo baseado no princípio da equidade, garantindo o futuro da organização por ela ser um agente de mudança.


O relatório de sustentabilidade (GRI) é uma ferramenta que as empresas usam para desenvolver uma estratégia de gestão voltada para os indicadores socioambientais e econômicos.

A divulgação dos relatórios melhora o diálogo entre os clientes, investidores e relevantes stakeholders. O relato dos indicadores auxilia as organizações a estabelecer metas, aferir seu desempenho e gerir mudanças com o objetivo de tornar suas operações, atividades e gestão mais sustentáveis.

Se sua empresa precisa de consultoria para elaborar um Relatório de Sustentabilidade, entre em contato conosco!


Janaina Macedo Calvo é FOUNDER da Martinez e Calvo Palestras, Treinamentos e Finanças, empresa prestadora de serviços na área de negócios e economia global, em forma de palestras, treinamentos e consultorias. A empresa tem como missão assessorar clientes a antever tendências globais e brasileiras, por setores e maximizar oportunidades. Doutoranda em Administração Pública e Sustentabilidade pela UNICAMP, Mestre em Controladoria pelo Mackenzie, economista formada pela FAAP, contabilista formada pelo Osvaldo Cruz com MBA Executivo pela BBS – Brasilian Business School (módulo internacional realizado em Luanda – Angola), Janaina atuou no setor público, como Conselheira de Emprego e Renda do Estado de São Paulo e Conselheira do Banco do Povo (baseado na experiência do Grameen Bank).
Na área executiva, atuou como Gerente de Pessoal e Finanças do Conselho
Regional de Engenharia e Agronomia – Crea/SP, o maior Conselho de
Fiscalização de Exercício Profissional da América Latina. Palestrante na área financeira e motivacional, autora do Blog Café&Finanças, colunista em finanças da revista Crea-online e desenvolvedora do Treinamento Batalha da Mente Finanças Investimento e Mindset , Preparação Financeira para Investimentos. Educação Financeira para Empreendedores, Soft Skills- Desenvolvendo Competências de Sucesso e do curso Relato Integrado Para Entidades Públicas.

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